26/05/2014 00h 00 Notícia

Como a Fonoaudiologia pode atuar nas Eleições 2014

Por: CREFONO 4

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No próximo dia 5 de outubro, milhões de brasileiros irão às urnas para eleger o presidente do Brasil, além de governador, senador, deputados estaduais e federais dos seus respectivos estados. Faltando pouco menos de seis meses para o dia da eleição, as agendas dos candidatos começam a ganhar tarefas que vão desde uma simples reunião com alguma liderança comunitária de um bairro ou cidade, até os grandes comícios, discursos e caminhadas.

Em todas as atividades citadas acima, o uso da voz é imprescindível. A presente reportagem tem como principal objetivo mostrar a importância do fonoaudiólogo, profissional de comunicação, integrar a assessoria de políticos para o desenvolvimento de trabalhos que perpassam pela simples orientação quanto ao uso correto da voz até consultoria em media Trainning e media Coaching.

"Na campanha eleitoral o trabalho com a voz é fundamental. É uma questão de saúde vocal mesmo, porque existe um desgaste vocal muito grande com os comícios, com os discursos, com as passeatas e com tudo que envolve a campanha política. Então, aumenta muito a demanda do uso da fala. O político deve se preparar para dar conta do recado, porque ele vai falar muito mais do que ele está acostumado", frisa a fonoaudióloga paulista Leny Kyrillos, que nas eleições presidenciais de 2010 trabalhou com a ex-senadora Marina Silva, hoje no PSB.

Além das questões referentes à saúde vocal, o fonoaudiólogo é de extrema importância nos trabalhos voltados para expressividade. "Esse político, além de ter voz e conseguir falar e se comunicar, ele tem que se comunicar de um jeito que desperte a percepção de credibilidade, de firmeza e de segurança, isso é fundamental. Então é todo cuidado com a imagem dele, com a impressão que ele passa, com a impressão que ele provoca nas pessoas a partir do modo como ele fala também é um trabalho que podemos desenvolver", enfatiza Kyrillos.
 
"Eu normalmente não falo com detalhes a respeito dos meus tratamentos porque é uma coisa de privacidade. Mas, com Marina foram feitos trabalhos em duas linhas - para dar uma condição de maior resistência vocal para que ela fosse capaz de dar conta da agenda dela de exposição de fala e também, no paralelo um trabalho expressividade para que ela passasse realmente a imagem daquilo que ela já é uma pessoa realmente série, forte que estava com uma proposta de mudança bastante forte", complementa a fonoaudióloga paulista.

"É necessário ao político estar pertinente, expressivo e adequado nos diversos tipos de mídia: rádio, TV, comício, assembleias e reuniões. Cada meio de comunicação exige uma forma tanto gestual, vocal e de conteúdo para que o político possa se expressar bem com seu público", ressalta a fonoaudióloga da Bahia, Valéria Leal, que trabalha com esse público, além de cantores, há 17 anos.

ATIVIDADES
O trabalho fonoaudiológico nessa área vai ao encontro das necessidades, normalmente imediatas, do político e/ou do serviço de origem. Pode ser: atendimento emergencial por uma alteração na voz que limite a performance do político ou mesmo afonia no dia de um comício; um único atendimento para orientações gerais e específicas, devido a falta de tempo para continuidade do trabalho; ou em um trabalho mais elaborado de alguns meses ou sessões pré-determinadas (média de dez sessões), de acordo com demanda, objetivos, metas e disponibilidade de tempo do político.

"O que proponho ao político é incluir o trabalho de Competência Comunicativa, Couch e Média Trainning, além do trabalho clínico em uma única proposta de trabalho. Depois de acertada a proposta, planejo os objetivos e metas baseado no cronograma previamente combinado. Assim o trabalho torna-se mais integral, eficaz e com melhores resultados a curto prazo. A maioria necessita de todos estes trabalhos ao mesmo tempo e rápido", sugere Neuza Sales.

Quanto mais tempo de preparação o fonoaudiólogo prestar assessoria fonoaudiólogica ao político maior serão as chances de sucesso no tratamento. "Para você ter uma ideia eu já estou trabalhando com dois candidatos ao governo desde abril de 2013. Mas, a gente também faz um trabalho mais emergencial, mais próximo. Eu atendo políticos que procuram um ano antes até pessoas que procuram três meses antes da eleição. Três meses é o tempo mínimo que você precisa para desenvolver esses aspectos", avalia Kyrillos, que não relevou o nome dos políticos que atualmente fazem parte do seu portfólio.

PÓS-ELEIÇÃO
Apesar da importância dos serviços fonoaudiológicos nessa área, ainda não é comum acolher um político para trabalhos pós-período eleitoral, ou seja, somente com demanda para Couch ou Media Trainning, pois, a maioria, além de desconhecerem esta oferta de serviço pelo fonoaudiólogo, procuram algo mais sazonal. "Esses clientes vêm com demanda específica para o trabalho: uma apresentação, discurso, campanha, gravação de propaganda eleitoral. São profissionais com pouco tempo disponível o que exige disponibilidade do fonoaudiólogo também de atendê-los onde seja possível ou onde a demanda é necessária", esclarece Valéria Leal.

Diante desse cenário, a orientação dos fonoaudiólogos que trabalham nessa área ouvidos nesta reportagem é para que o fonoaudiólogo apresente uma proposta de assessoria para além do período eleitoral. "Temos que divulgar o nosso trabalho em partidos políticos, agências de publicidade que tem a conta da campanha do candidato. Nossa função, muitas vezes, é desempenhada de forma superficial por assistentes de direção, assessores parlamentares que sugerem algumas mudanças para os candidatos durante gravações e entrevistas", sugere e alerta Valéria Leal.

Na avaliação da fonoaudióloga Neuza Sales, o fonoaudiólogo deve fazer parte obrigatoriamente da equipe de assessores de marketing do político e/ou do partido e dos médicos que atendem esta população. Ela sugere, ainda, que o trabalho fonoaudiológico seja incluído nas casas legislativas - Câmara Federal, Senado, Câmaras Municipais e Assembleias Legislativas.

Essa mudança de paradigma na relação político/eleitor, a preocupação com o falar, com o discurso e com as questões gestuais não tendem a diminuir. E nesse cenário, a Fonoaudiologia pode intensificar o seu trabalho. "Ainda buscamos um lugar merecido. É um espaço ainda a ser conquistado, basta ver uma campanha ou assistir ao horário político para ver o quanto somos necessários", finalizou Valéria Leal.

DIFERENÇA
Media Trainning - O media training pode ser feito em pequenos grupos com feedback em conjunto analisando gravações, entrevistas.

Media Coaching - O media coaching visa melhorar o desempenho do político sobre a forma  de organizar o seu discurso com respostas mais adequadas, orientá-lo sobre postura corporal e expressão facial em entrevistas para TV, noções de câmera, planos, linguagem não verbal. O trabalho é individual em sessões e acompanhamento em gravações para rádio e TV. "Tenho realizado o media coaching com mais frequência", revela Valéria Leal. 

ESPECIALIZAÇÃO
Todos os fonoaudiólogos podem realizar um trabalho com políticos. O ideal é que esse profissional tenha especialização e experiência clinica com adultos e idosos na área de voz profissional e competência comunicativa. Além de conhecer a rotina do político e da política. "Precisa ter segurança e experiência para lidar com flexibilidade de horários, interesse e demanda da voz-comunicação, personalidade do político e dos assessores que o acompanham em todas as atividades", justifica Neuza. "Acredito que os especialistas em Voz com experiência em rádio e televisão possam contribuir de uma forma melhor para o desempenho de seus clientes%u201D, acrescenta Valéria Leal.

REMUNERAÇÃO
A remuneração para este tipo de serviço depende muito de cada fonoaudiólogo. %u201CA princípio em atendimento individual in loco o profissional pode cobrar até o dobro do valor que cobraria em seu consultório por uma sessão%u201D, sugere Valéria Leal. O período de uma sessão em meu serviço em Sergipe é de 30 minutos para outras populações. Entretanto, com políticos necessito de uma, duas até três horas, pois 30 minutos são insuficientes para suprir a demanda imediata e para cumprir o planejamento fonoaudiológico. Nesse caso, o valor é cobrado por hora e o pagamento em cada encontro. Isto é acordado previamente com o político. Alguns casos necessitam de cuidado além da clínica, quando acrescento 50% do valor combinado%u201D, complementa Neuza Sales.

Fonte: Assessoria de Comunicação do CREFONO 4

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